E lá estava ele, preso a tanto tempo na mesma gaiola. O curioso é que continuava a cantar, aparentemente se sentia bem com o lar que abitava. Certa vez, abriram sua gaiola, com o intuito de deixar-lo bater as asas e se perde no imenso céu azul, se fosse outra tinha ido sem exitar, mas ele não, continuou no mesmo lugar, sem fazer qualquer movimento. Seu lar passou o dia de portas abertas e ele continuava imóvel. Um outro pássaro, de uma gaiola vizinha, intrigado o perguntou:
― Sua gaiola passou o dia aberta, por que não partiu?
― O pequeno pássaro então respondeu: ― Aqui eu tenho tudo que preciso. Eles me dão comida, carinho, e ela, ela me protege. Não pretendo sair daqui.
― O outro abismado, ficou um tempo observando-o e soltou em um resmungo: ― Você é louco!
― Em um tom leve, tão leve como um cantar o disse: ― Posso ser louco, um louco protegido. Um louco que tem certeza que enquanto estiver aqui, nada irá acontecer com ele. Aqui estou seguro.
— Eu sou teu pássaro, e você é minha gaiola. (via espu-mar)









